“Estamos à beira de uma revolução”: a carta profundamente pessoal de Demi Lovato sobre saúde mental e Black Lives Matter

Quando eu me sento para escrever esta carta, nós estamos, atualmente, em nosso sexto mês de uma crise de saúde global.
Quando entramos em lockdown pela primeira vez, eu tinha acabo de performar no Super Bowl e no Grammy, lançado um single e tinha outro por vir em um mês com Sam Smith. Eu me sentia segura com minha carreira e tinha me preparado para arrasar nisso. Quanto tudo veio à tona, eu — e tenho certeza que muitos outros que estão lendo isso —me senti sem rumo.

Depressão e transtornos mentais são parte da minha história, e por conta de toda a incerteza rondando essa pandemia, minha ansiedade explodiu. De repente, eu me deparava com algumas perguntas: “quando vamos voltar ao trabalho?” “mais pessoas terão que morrer?” “o quão ruim isso vai ficar?”. Tudo saiu do meu controle tão de repente, e não apenas para mim individualmente, mas para nós, como sociedade global. Isso foi — e permanece sendo — uma época nunca vista antes na história.

Forçados à parar e pensar

Como sociedade, nos acostumamos com certa mentalidade, uma em que sentimos que devemos estar na frente e sermos melhores que todos o tempo todo. É exaustivo. E então, de repente, a pandemia nos atinge e todos somos forçados a parar e pensar. Eu comecei a me perguntar: “O que é importante para mim? O que vai me fazer passar por isso? Como eu continuo positiva?”, eu sabia que eu queria aprender algo com essa época, que poderia melhorar minha vida, minha saúde mental e meu bem estar emocional a longo prazo.
No começo, estava relutante, mas por meu noivo ser positivo o tempo todo, comecei a fazer as coisas que ele faz. Comecei a meditar e fazer yoga. Comecei a pintar, ter um diário, tirar fotos e ser criativa, e aprendi a apreciar a natureza, depois de perceber que eu a tinha garantida o tempo todo. Primeiro, eu tive dificuldade para dormir porque minha ansiedade estava forte, então eu desenvolvi um ritual noturno. Eu acendo minhas velas, coloco uma fita de meditação com frases afirmativas e motivadoras e uso óleos corporais. Finalmente, consigo pegar no sono facilmente.
Mas, minha experiência não é uma excessão. Todo mundo conhece alguém com alguma doença mental, se eles mesmos não forem essa pessoa. Um ponto positivo da pandemia é que ela têm acendido um holofote para a saúde mental como nunca havia acontecido antes. Por vários anos, problemas mentais foram vistos com vergonha. Eu certamente me senti envergonhada, fizeram me sentir assim. Isso vem da ignorância. As pessoas não entendiam o que isso era e se assustavam com palavras como depressão e ansiedade. No entanto, quanto mais aprendermos sobre, mais podemos lidar com isso como uma crise de saúde. A educação e a liguagem que usamos ao redor do bem estar é crucial.

Ao refletir sobre tudo o que aconteceu ao longo de 2020, parece que estamos passando por um momento de mudança. Nunca houve um momento mais crucial para espalhar a consciência sobre questões que importam. E não é apenas saúde mental. Ter tanto tempo de inatividade durante a quarentena me deu espaço para perceber que há muito mais que eu poderia fazer para ajudar outras pessoas. Estou na categoria de “risco” para a Covid-19 por causa da minha asma e outros problemas de saúde, então não pude comparecer a nenhum dos protestos Black Lives Matter. Mas haviam coisas que eu podia fazer em casa, apenas usando minha plataforma.

Meu relacionamento com as redes sociais antes do lockdown era muito típico. Se você rolar o meu feed para baixo, são principalmente fotos de glamour e fotos minhas parecendo fofa e elegante. Mas então houve essa mudança repentina em torno da época em que Ahmaud Arbery foi morto. Agora meu feed está cheio de informações sobre injustiça racial e o que podemos fazer para ajudar.

Sempre levei meu trabalho como defensora a sério, mas agora estou olhando para ele com um foco renovado. Nesse caso particular, o que me motivou foi saber o quanto de mim vem da cultura negra. Eu cresci ouvindo Aretha Franklin, Whitney Houston e outras cantoras soulful, mas essas duas mulheres pretas em particular me transformaram na vocalista que sou. Se você olhar para minha vida, tudo que tenho – dinheiro, sucesso, um teto sobre minha cabeça – é por causa da inspiração que aquelas mulheres pretas me deram. Continuo a ser constantemente inspirada por pessoas de cor hoje.

Então eu estou aqui, sentada na minha casa em que eu consegui obter com o dinheiro que ganho por cantar, enquanto pessoas de cor estão com medo pela vida delas todos os dias. Eu percebi que isso era um relâmpago sacudindo o meu corpo me lembrando do meu privilégio. Eu senti uma responsabilidade grande em ajudar a espalhar alertas sobre essa injustiça, então, eu comecei a compartilhar coisas que pudessem educar as pessoas.

Querer proteger as pessoas a todo custo

Primeiramente, eu tinha um conflito em falar sobre esses problemas porque eu não queria que alguém pensasse que isso não era genuíno. Eu também senti como se eu quisesse ligar para cada pessoa de cor que eu conhecia e me desculpar, o que eu sei que também não é a coisa certa a fazer. Como muitas pessoas, eu não sabia o que fazer. Tudo que eu sabia era que eu odiava compartilhar a mesma cor de pele com aqueles que acusaram e cometeram crimes contra Ahmaud Arbery, Breonna Taylor, George Floyd e muitas, muitas outras vidas pretas.

Após tirar algum tempo para me educar, o que eu aprendi é que para ser uma boa aliada, você precisa querer proteger as pessoas a todo custo. Você precisa se posicionar se você ver algo acontecendo que não é certo: um ato racista, um comentário racista, uma piada racista. E que, isso não é apenas com o Black Lives Matter. Isso também é com o movimento Me Too. Finalmente, o mundo está acordando e isso é lindo de vivenciar.

Quando isso se refere a ativismo, quando isso se refere a implementar mudanças na sociedade, sempre existe um espaço para melhorar. Eu queria saber as respostas, mas eu sei que não sei. O que eu sei, é que inclusão é importante. Criar ambientes onde mulheres, pessoas de cor e pessoas trans se sintam seguras e importantes. Não apenas seguras, mas iguais a seus colegas cis, brancos e masculinos. As pessoas precisam sentir que podem entrar em um espaço onde sabem que não serão assediados ou que não ganharão menos. A indústria musical precisa prestar atenção. De fato, a indústria inteira de entretenimento precisa.

Um ano de crescimento

Ninguém teve um 2020 perfeito. Longe disso. O que todos nós precisamos entender, no entanto, é que está tudo bem se as coisas não estiverem bem às vezes.
Particularmente, eu tenho lidado com intensos altos e baixos. Eu conheci meu noivo em março e me apaixonei por ele. Nós tivemos esse rápido romance e pudemos passar esse esse tempo juntos. Mas eu também perdi várias pessoas neste ano, o que foi muito difícil. Houve o aniversário da morte do meu pai, que é dias após o dia dos pais — uma época do ano realmente difícil pra mim. Mas nesse ano, algo aconteceu. Eu escrevi uma carta de gratidão para ele, agradecendo-o por tudo que herdei dele. Foi lindo soltar todos os ressentimentos que eu tinha sobre ele. Eu percebi, pela primeira vez, que eu não iria ter problemas paternos pelo resta da minha vida. Resumindo, 2020 foi um ano de crescimento.

Seguindo em frente, quero focar minha energia em minha música e meus trabalhos como defensora. Eu quero continuar a me esforçar para ser uma pessoa melhor. Eu quero inspirar as pessoas em muitos modos a fazerem o mesmo. Acima de tudo, quero tornar o mundo um lugar melhor que quando eu cheguei nele. Há muitas coisas que precisam ser feitas antes disso, mas juntos eu acredito que podemos fazer acontecer. Vocês só precisam ter um pouco de esperança.

FONTE: https://www.vogue.co.uk/arts-and-lifestyle/article/demi-lovato-hope

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