Demi Lovato: Uma jornada emocional por trás de “Anyone” – Apple Music
Demi Lovato: Uma jornada emocional por trás de “Anyone” – Apple Music


Entrevistador
: Isso é tudo tão familiar, tenho certeza, para você esse tipo de ambiente, esse espaço de ensaio, esse espaço seguro onde você pode vir e descobrir o que funciona, o que não funciona e não ser julgada. Mas há algum ponto você tem que deixá-lo Demi, você tem que ir lá fora e você tem que cantar essas músicas que as pessoas querem ouvir para o pessoal que está morrendo para te ver novamente. Esse fim de semana é um grande momento, essa é a primeira vez que o mundo terá a chance de te ver de novo em algum tempo, e o Grammy neste final de semana… Sinto como se fosse recomeçar, acho que a primeira pergunta é: nesse espaço seguro, como você se sente com alguns dias restantes antes de deixar este lugar?

Demi: Eu estou muito empolgada e estou pronta, sinto que estou esperando por este momento por tanto tempo e será difícil não ir ao palco e vomitar as palavras de uma vez, sabe? Eu só quero subir e contar minha história, e eu tenho três minutos para fazer isso, então farei o melhor que posso, é só um pedaço da minha história, mas ainda é um pouco e é suficiente para mostrar ao mundo onde estive.

Entrevistador: Qual é o nome da música que você irá performar?

Demi: A música que estarei performando se chama “Anyone”.

Entrevistador: Agora, essa é uma música muito poderosa, quero dizer, para mim a linha do tempo é tão importante e contar a história da música, eu sinto como se, se a música tivesse sido escrita após você ter se recuperado, significaria algo bem diferente do que se tivesse sido escrita antes de você se recuperar, então, qual dos dois foi?

Demi: Essa música foi escrita e gravada pouco antes de tudo acontecer. Eu gravei os vocais para ela quatro dias antes de…

Entrevistador: 20 de julho?

Demi: Sim! A letra tomou um significado totalmente diferente no tempo em que eu estava escrevendo-a, eu escuto-a agora e vejo um pedido de ajuda, e você meio que escuta e pensa “como ninguém escutou essa música e pensou ‘vamos ajudar essa garota”. Eu até penso que estava gravando em um estado de espírito onde eu sentia que estava bem, mas claramente eu não estava, e eu mesma escuto novamente e penso “Deus, eu gostaria de poder voltar no tempo e ajudar aquela versão de mim mesma.”

Entrevistador: Então você sente que ainda está em negação quando escuta aquela música?

Demi: Definitivamente! Eu sinto como se estivesse em negação, mas uma parte minha sabia definitivamente para que eu estava cantando.

Entrevistador: Seu espírito estava cantando algo que sua mente não podia compreender naquele tempo.

Demi: Certo, é como se a vida imitasse a arte…

Entrevistador: Com certeza!

Demi: Eu estava cantando essa música e eu nem percebi que a letra era tão pesada e emocionante até depois do fato, e isso é o que nos traz a esse momento, sabe? Eu me lembro de estar no hospital e escutar essa música. Era uma semana depois que eu entrei no hospital e, eu estava finalmente acordada, e eu me lembro de escutar as músicas que tinha acabado de gravar e pensar “Se algum dia ter uma chance de me recuperar disso, eu quero cantar essa música.”

Entrevistador: Uau, ainda estar naquele estado de espírito e estar presa tão perto a algo que foi tão desorientador e assustador para você e aqueles ao seu redor, mas estar presente o suficiente para dizer “Eu sei quão poderoso esse momento é, mesmo agora.”

Demi: Sabe, uma parte minha estava tipo, olhando para o futuro, porque isso é o que eu faço quando estou passando por um tempo difícil, eu olho para o futuro por esperança e para mudar minha perspectiva nas coisas e, especialmente quando passo por algo difícil, eu paro e penso “Ok, por que Deus está me fazendo passar por isso?” e às vezes não faz sentido naquele momento, mas essa música, eu gravei, passei por tudo e então fez sentido depois. “Ok, é por isso que essa letra era tão emocional enquanto eu a cantava, porque ela é tão profunda na minha alma, tipo, pedindo ajuda, que você consegue realmente sentir isso quando a ouve.”

Entrevistador: Eu acho que uma das partes mais tristes da música pra mim é quando você fala na letra de abertura: “Eu tentei conversar com meu piano, eu tentei conversar com meu violão, eu tentei conversar com minha imaginação”.

O que é muito triste nisso é que música tem sido uma ótima fonte de terapia de entendimento para artistas falarem sobre termos que eles não conseguem se comunicar normalmente ou até mesmo entender sobre eles mesmos. E naquele momento, se era apenas uma conversa consciente ou não, a música não poderia te ajudar naquele ponto.

Demi: Sim, eu definitivamente sinto isso. Eu sinto que você pode usar certas coisas pra lidar com a vida, e a música tem sido um grande mecanismo de enfrentamento pra mim, tem sido muito terapêutico. Mas há tanta coisa que a música pode fazer antes de você criar responsabilidade, e você tem que pegar a iniciativa pra conseguir a ajuda que precisa.

Entrevistador: Com o benefício da perspectiva, agora olhando pra trás nos momentos que antecedem o dia 24 de Julho, você consegue reconhecer com clareza os passos que você tomou mesmo quando você estava cercada por julgamentos que te levaram ao momento onde ficou tão sério?

Demi: Sabe, é óbvio que quando eu olho pra trás eu consigo colocar as peças juntas no lugar, mas não era consciente. Não era naquele momento que eu realmente conseguiria voltar e dizer: ‘Ok, eu estava ciente de que levaria a isso’. Eu nunca fiz, eu acho que eu nunca pensei que eu fosse terminar onde eu terminei.

Entrevistador: Você está pronta pra falar sobre o que aconteceu, como aconteceu e o que aconteceu na noite?

Demi: Sim, eu estou no processo em ficar mais e mais pronta conforme o tempo passa. Acho que tem me levado um bom tempo para ser capaz até mesmo de levar isso tão longe, que é cantar uma música tão vulneravél para mim no palco em frente a todos os meus conhecidos e colegas de trabalho, e até as pessoas que eu admiro. É meio estressante de pensar, mas ao mesmo tempo eu sou grata de ter a oportunidade de sentar aqui e conversar com você um pouco sobre a minha história. Com o passar do tempo eu vou contar mais e mais sobre isso, e com a próxima música que vem chegando eu conto mais sobre a história, que fala um pouco sobre onde eu estava antes e logo depois.

Entrevistador: Você sabe que eu vou te dar espaço pra falar sobre o que você quiser sem forçar mais do que isso.

Demi: Uhum.

Entrevistador: E focando nessa música em particular e o que significa para você vocalmente, o que eu amo sobre isso é o fato que continua tão crua com emoção, e não é como se você voltasse e tentasse retroceder isso, e manter o vocal original. Você ficou tentada a voltar e tentar arrumá-la novamente?

Demi: O perfeccionismo em mim quer que cada gravação, tudo…

Entrevistador: Por que no documentário, eu assisti a forma que você lida com os seus vocais. Uma coisa que eu amei em “Simply Complicated” é quando no início os produtores estão: ‘Conseguimos!’ e você: ‘Não, não conseguimos’. E então eu ouço a música como qualquer um e mesmo no improviso de ensaio consigo te ouvir procurando por algo confortável no tom vocal que você ainda não alcançou, mas é incrivelmente convincente e atrai você imediatamente. E eu me perguntava como o perfeccionismo se encaixa com isso.

Demi: Eu lembro que eu estava em Montana quando eu gravei aquela música, e eu estava gravando alguns vocais para o álbum que eu estava trabalhando naquele momento, não sabendo o caminho que minha vida tomaria como aconteceu. Mas naquela época eu só queria trabalhar no álbum e gravar alguns vocais, então eu fui lá, gravei e não perdi muito tempo aperfeiçoando por que não é como uma daquelas músicas com batidas ou super produzidas, nem nada dessas coisas que possam tirar a emoção dela. Então eu quis manter ela bem pura, e com o passar do tempo nós percebemos o quão mágico foi gravar os vocais da música pouco antes do que aconteceu, e você não pode recriar isso.

Não faz sentido voltar ao estúdio e tentar arrumar as coisas ou tentar refazer um trecho melhor, eu prefiriria respirar e deixar da maneira como está.

Entrevistador: Essa é uma ótima dica pra um artista como você que é conhecida por cortar notas quase completamente, no sentido de habilidade pra atingir uma nota que outros não conseguem. De um jeito estranho, deve ter sido muito libertador pra você não sentir necessariamente aquela necessidade de gravar de novo e arrasar.

Demi: Foi libertador poder falar “Ok, acabei de gravar essa música”, sabe? Mas foi difícil porque eu até me meti em problema no jardim de infância, minha mãe foi chamada para a diretoria porque o professor disse pra ela “A Demi tem esse problema que se ela não consegue fazer algo perfeitamente na primeira tentativa, ela joga as mãos pro alto e faz pirraça, aí ela não faz mais” e isso é o quão perfeccionista eu sou.

Entrevistador: Posso te perguntar como foi o coral da escola para você? Porque, deixa eu falar desse jeito, todas as crianças da escola acham que sabem cantar e qualquer pai que foi para apresentação de coral que, com todo o respeito, esse não é o caso. Então, quando você está no coral cantando ao lado de seus colegas e você está ouvindo seus amigos desafinando, doía em você?

Demi: Eu fui sempre uma artista solo, eu participei do coral, eu era presidente dele, mas eu não ligava para o que eles estavam cantando, eu ficava tipo “Me dá meu solo que eu vou arrasar”

Entrevistador: Sabe, um assunto interessante para trazer hoje é que você, que foi sempre tão focada no que você pode oferecer, no que você pode trazer de si mesma e é claro que você é muito ambiciosa, no que você quis alcançar durante sua vida, mas no final você se encontrou, depois de julho, tendo que contar com muitas pessoas que você conhecia e provavelmente pessoas que você não conhecia.

Demi: Sim!

Entrevistador: Para te ajudar a conseguir se recuperar e eu me pergunto como isso te afetou pessoalmente? Sendo uma pessoa que sempre foi tão focada e tão independente, mas percebendo no final do dia que você precisa de outros para conseguir chegar ao outro nível.

Demi: Bom, eu diria que teve mais gente que eu não conhecia me ajudando, do que pessoas que eu conhecia. Até porque se eu tivesse todas essas pessoas que tenho agora, eu provavelmente não teria chegado ao nível que cheguei. Então, a ajuda das pessoas que eu consegui foram as que eu conheci em novos centros de tratamento ou em novos médicos, novas pessoas desse jeito, que vêm sendo muito beneficiais e me ajudaram muito na jornada e na vida que eu vivo hoje.

Entrevistador: Posso te perguntar se você conseguiu cortar todos os lugares e pessoas ao seu redor que você reconhece agora que não eram boas influências na sua vida?

Demi: Sim, definitivamente… e eu acho que isso ainda é um processo que eu acho que, assim que você conhece as pessoas e assim que as pessoas vem até você na sua vida, você ainda tem que tomar uma decisão toda vez do tipo “essa pessoa é alguém que eu quero por perto?”, sabe? E se há alguém que é uma boa influência para você e apoiadora da vida que você quer viver, então mantenha-os, mas se eles não são, se não é propício para a jornada que você quer estar, não há razão para eles estarem na sua vida.

Entrevistador: Você acha que você teve um erro de julgamento nessa área particular no passado?

Demi: Eu acho que eu ainda tenho essa era e julgamento, eu acho que isso é só uma parte sobre crescimento, sabe? Conforme as pessoas entram na sua vida, conforme você conhece as pessoas, você aprende para sua vida inteira coisas com a bandeira vermelha para procurar e ver que a não ser que você tenha uns 100 anos de idade com muita experiência de vida, você nunca vai saber de imediato quem é bom para você e quem não é.

Às vezes você é enganado, às vezes você entra em relacionamentos que você pensa que são saudáveis e depois você percebe como aquilo na verdade não era saudável, e não é que você não é cuidadoso para isso, que não tem consciência, é só que você não percebe até mais tarde, até eles fazerem alguma coisa, ou você fazer alguma coisa e é tipo “Oh, isso não está funcionando”, sabe? Eu acho que isso continua a acontecer e é só uma experiência de aprendizado cada vez.

Entrevistador: Você sabe que tem uma parte das mentes dos artistas, que eu aprendi ao longo da minha vida, que anda nessa linha tênue meio que algumas vezes. Acho que é um equilíbrio bastante precário alimentando por essa química entre insegurança e ambição, esse desejo de meio que se expressar, mas igualmente esse medo de fazer isso, mas é preciso fazer. E você sabe que um público valida isso e você é uma performer incrível e você provavelmente, de várias maneiras, usa isso como um mecanismo de enfrentamento do passado também, mas eu penso que, já que agora que você está voltando para os olhos do público de um jeito tão grande, querendo ou não, você toma conhecimento que isso pode causar problemas internos, mesmo que mude sua perspectiva para performar e em o que performar significa para você.

Demi: Eu acho que performance é muito importante para mim porque me dá uma plataforma para compartilhar minhas experiências, sabe? As músicas que estou cantando, as letras que eu escrevi para o meu álbum e tudo me dá um palco, e me dá, como eu disse, uma plataforma para compartilhar isso com as pessoas que precisam relatar e precisam procurar por esperança e inspiração também, mas eu acho que é importante lembrar que sua autovalorização não vem da reação de uma plateia.

Entrevistador: Você está prestes a ir para o palco em frente de milhões e milhões de pessoas no Grammy e você sabe que a reação, que a adrenalina que você pode receber é “uau, ela é incrível” ou “uau, ela é um lixo” e pode ser das duas formas… e você está se sentindo forte com isso? ou tem algumas formas que você controla sua exposição para isso? Porque isso é algo que as vezes eu acho que os artistas ainda estão aprendendo, eu não acho que ninguém tem uma resposta para como lidar com isso.

Demi: Certo, bem, para mim, algo que eu já fiz é tirar as marcações no Instagram, então eu não consigo ver o que as pessoas me marcam lá… Tenho certeza que eu desativei os comentários em tudo também…

Entrevistador: Auto preservação…

Demi: Auto preservação, sim! E também é estar consciente de tipo “Ok, algo que eu já lidei no passado está tendo essas experiências incríveis como o Grammy, ou turnê, ou shows”, coisas assim… E eu tenho que estar ciente de “Oh, okay, eu vou quebrar” porque minha adrenalina vai se estender por toda semana e depois eu vou ter essa performance, mesmo sendo ótima ou não, minha adrenalina vai falhar e cair porque é Segunda de manhã.

Entrevistador: Demi, você está preste a fazer uma performance no Grammys e no SuperBowl dentro de um espaço de duas ou três semanas…

Demi: Então, é algo que eu venho falando com o meu time, tipo “Ei, temos que ser cautelosos, eu posso quebrar na Segunda-Feira, vamos tomar precauções para talvez eu fazer mais meditações na Segunda” ou qualquer coisa to tipo, talvez eu tenha mais terapias ou apoios e depois obviamente o SuperBowl também vai acontecer e vai ser muito empolgante, mas é importante planejar com antecedência para que você não vá na Segunda depois do Grammys. Eu não vou sentar lá e ficar esperando de braços cruzados tipo “Ok, o que eu tô fazendo da minha vida?”

Entrevistador: De onde eu consigo essa adrenalina…

Demi: Isso, exatamente! De onde eu tiro isso? Como posso bater tão alto? Tipo, apenas esteja preparado.

Entrevistador: Eu quero prolongar essa conversa em uma data posterior e falar que eu acho isso realmente fascinante e eu tenho muita empatia com os artistas agora e o fato de que esperamos tanto de artistas e a troca é tão bonita. Você se entrega, nós absorvemos, mas amamos isso, mas isso tira muito da mentalidade artística da idéia do que você precisa para fazer essa música sair de você, e você tem feito música e eu não quero ir tão longe, mas não preciso dizer que os fãs vão querer algo disso… Saber onde você estava com música nova além de qualquer um que estamos prestes a ouvir e vai impressionar as pessoas… Qual é o futuro?

Demi: O futuro, eu quero dizer, eu tenho música de mim mesma que eu estou muito empolgada, como eu disse, eu mencionei a música que eu vou lançar depois disso…

Entrevistador: É tão difícil de continuar com isso e eu continuo te perguntando o nome, mas você pode me dizer? Se você ia me dizer…

Demi: Eu te contaria, mas eu sinto que…

Entrevistador: Está tudo bem, estamos falando de “Anyone”…

Demi: Sim, vamos focar em “Anyone”. Eu estou muito empolgada para essa música, e eu também tenho algumas coisas vindo aí com outras pessoas que são muito empolgantes, então vai ser um grande ano.

Entrevistador: Você você tem se preparado? Você falou sobre meditação antes, você está vendo os benefícios disso?

Demi: Eu na verdade não medito com frequência, mas quando eu penso à frente de algo eu fico tipo “Ok, vamos planejar nossa meditação para esse dia”.

Entrevistador: Eu queria poder controlar isso mas meu cérebro vai em muitas direções distintas.

Demi: Eu tenho transtorno de déficit de atenção com hiperatividade.

Entrevistador: E eu tenho transtorno obsessivo-compulsivo.

Demi: É tipo quando estou meditando e então eu estou tipo “Eu preciso mandar mensagem para Fulano e Ciclano” ou eu fico me perguntando o que aconteceu no último episódio de The Bachelor, entende o que eu digo? Eu preciso focar no meu bem-estar.

Entrevistador: Eu estou animado para continuar a conversa quando chegar a hora certa, sabe. Eu acho maravilhosa a jornada que você tem enfrentado. Eu falei com uma pessoa da sua idade, alguém que pode se relacionar com isso. Veio ao mesmo tempo que Selena e eu estava dizendo que o tipo de experiências que ela passou e, posteriormente, o que você passou de forma tão única por ter vivido aos olhos do público, de ser perseguido na juventude. Era tão atraente e emocionante e, em seguida, reconheceu que qualquer experiência sua estava aos olhos do público durante a revolução das mídias sociais onde todos os olhos estão focados em você.

Demi: Bem, é assim que funciona. Teve pessoas que, sabe, eu estava na praia e alguém estava tirando uma foto minha de maiô sem pedir permissão e as pessoas diziam tipo “você pediu por essa vida”. E primeiramente, eu tinha sete ou oito anos quando eu decidi que queria fazer Barney e seus amigos. Nenhuma criança de sete anos pode compreender totalmente o que a vida lhe traz quando se está na televisão. Nenhuma criança pode compreender isso. Nenhum adulto pode compreender isso. E você citou as mídias sociais, que vieram à tona quando eu tinha uns 15 anos.

Entrevistador: Sim, em um momento em que você está no seu máximo estado de autoconsciência e no estado mais estranho, aqui está uma maneira de as pessoas olharem para você o tempo inteiro.

Demi: E milhões de pessoas comentando sobre seu corpo, sobre sua aparência, sua pele, com quem você está brigando e você fica “posso ter uma adolescência?” e recebe um não. Então eu definitivamente sinto como se tivesse uma vida estranha e sim, foi minha escolha, mas eu não estava esperando que fosse ser como é hoje. Acho que até mesmo a ideia de “celebridade” é completamente diferente da ideia de 20, 30 anos atrás. As celebridades podiam ser elas mesmas e os paparazzi não eram algo grande. Não desde aqueles dias com a Britney Spears, quando começaram a persegui-la. Não era assim até aqueles dias.

Entrevistador: Mudanças ocorreram sim, e essa foi uma delas. Acho que quando as pessoas escutarem e reconhecerem que você está num ponto em que você deseja compartilhar. Você está em uma posição perfeita para começar a se expressar no início de uma nova década e focar em pontos positivos, focar nessa alegria, nessa chance dada. Podemos falar como você se sente em relação ao futuro? O que será o seu futuro nessa década?

Demi: Quando eu penso no meu futuro para essa década eu penso que, em algum momento nessa década, eu quero formar uma família. Seria ótimo. Tudo isso é ótimo, é lindo, eu sou sortuda e abençoada e grata. Mas eu aprendi que, claramente, se tudo isso te fez feliz, eu não teria acabado como acabei. Meu sucesso não mede minha felicidade. Então, quando eu penso sobre o que me fez feliz hoje, eu penso sobre minha família, penso sobre meus amigos, penso sobre minha equipe, penso em pessoas com conexões, relações significativas.

Entrevistador: Nada mais significativo do que formar sua própria família.

Demi: Exatamente! Eu não sei como vai se parecer, eu ao menos sei se eu a vejo com um homem ou uma mulher. Mas eu apenas sei que, em algum ponto, eu amaria fazer isso nessa década. E se não acontecer nessa década, talvez na próxima. Não sei, veremos. Mas eu amaria começar a fazer coisas que me fizessem mais feliz e me preocupar menos com o sucesso.

Entrevistador: É! Eu iria dizer o que vai renovar esse tipo de felicidade que você tem no processo porque, pra mim, soa que o que você está tentando se livrar até certo ponto é resultado de métricas orientadas e você tem que processar.

Demi: Sim! Na minha carreira inteira eu sempre ficava tipo “Eu quero tanto um Grammy” ou “Eu quero isso”, “Eu quero aquilo”, “Um número aqui”, “Um número um ali”, sabe? E todas essas coisas são ótimas e é incrível se você consegue conquistar elas, mas eu pessoalmente sinto que, por mais incrível que seja, não vai preencher aquele buraco dentro de mim, que apenas amor, apreciação e gratidão podem preencher.

Entrevistador: Onde você está agora na sua felicidade? Tipo, o que está te fazendo rir, o que está te fazendo realmente feliz agora?

Demi: Eu amo passar tempo com a minha família, sendo apenas um tempo com a minha mãe ou com as minhas irmãs quando elas me visitam, apenas estando com a minha família. E isso foi o que fez as épocas de feriados serem tão ótimas. Você vai pra casa e passa tempo com a família, descansa por lá, veste seu roupão, fica na preguiça, come comidas de feriados e aquilo tudo foi tão incrível e ótimo para mim. Outra coisa que eu comecei a fazer foi a começar a frequentar a igreja, eu não era muito uma pessoa de igreja até há um mês atrás.

Entrevistador: O que é incrível porque há uma letra muito poderosa na música “Anyone” que questiona a nossa fé e por que eu estou orando em um momento particular, você sabe, é uma ênfase cuidadosamente formulada nisso, o que foi novamente um verdadeiro momento de desespero do tipo “eu estou no fundo do poço”

Demi: E aquela mudança de letra, na realidade, aconteceu quando eu estava apresentando ela, foi tipo, “eu quero tentar algo”, então quando eu estava gravando ela eu adicionei a palavra e foi tipo “isso na verdade dá muito mais impacto”

Entrevistador: Então essa foi a única vez que você já usou aquela palavra e em qualquer performance…

Demi: Nunca! Eu nunca disse aquela palavra!

Entrevista: Quero dizer, você só cantou aquela palavra uma vez naquela música. Você capturou ela, você pegou ela e você estava tipo “eu consegui o que eu precisava daquele momento”. Como o desespero que eu senti sobre o conceito de fé e oração e o que religião significa, como foi para você achar a si mesma a partir de um mês atrás enquanto procurava por aquele espírito dentro da comunidade – que é o que a igreja é -, O que você está recebendo disso? Como você está se curando da experiência?

Demi: Sabe o que é muito engraçado? É que eu me afastei da igreja por muitos e muitos anos, eu não me sentia bem-vinda, eu também estava questionando minha sexualidade. E eu apenas achei um lugar aqui em LA onde me aceitam pelo que eu sou, não importa quem eu amo. Não há julgamentos, e o que eu precisava era de um lugar sem julgamentos. E eu não tinha achado isso até um mês atrás.

Na realidade, eu estava tendo uma noite muito difícil e meu empresário Scooter me perguntou se eu queria ir para um estudo bíblico, e eu fiquei tipo “Ué, você não era judeu?”, ele riu e disse “Quer saber? Se vai te ajudar, então vamos lá” Então ele me levou e eu consegui ouvir Deus mais nitidamente do que eu tinha ouvido há muito tempo. E a partir daquele momento eu comecei a pensar que preciso focar em mim mesma, na minha relação comigo mesma e na minha relação com Deus. Eu tentava buscar Deus através de outras experiências, sendo essas através de relacionamentos ou substâncias, sabe? Eu tive que perceber que o Deus que eu estava procurando, o Deus que eu amo e o cara que eu quero que seja o meu Deus está disponível 24 horas por dia, sempre no comprimento de um braço e constantemente comigo. Sentir esse tipo de mudança, não sei, fez eu me sentir mais segura e renovada.

Entrevistador: Como estamos trabalhando nisso em tempo real, eu acho que honestidade e transparência dentro de um enquadramento, seu enquadramento, parece ser um antídoto. É basicamente um tipo de “deixe ir todas aquelas coisas que você não pode controlar e foque nas coisas que você pode”. Eu posso te contar a verdade, você vai conseguir isso com a música “Anyone”.

Demi: Definitivamente!

Entrevistador: E uau, é uma performance do caramba! Eu não consigo citar muitas pessoas nesse mundo que conseguem cantar essa música, talvez ninguém consiga cantar essa música.

Demi: Ah, muito obrigada!

Entrevistador: Você vai arrasar e a primeira dica é que vai ser muito poderoso… Obrigada pelo seu tempo, mal posso esperar pela próxima vez!

Demi: Obrigada!

Fonte: Beats 1